Armas de fogo

Home Acima Espingarda Clavina Pistola

Uniforme de artilharia do Rio de Janeiro em 1786 (Washt Rodrigues) e equipamento de soldado distribuído em Minas Gerais no mesmo ano (Arquivo Ultramarino, Lisboa). A esquerda, o cinturão com a baioneta e o boldrié para o terçado, a direita, a patrona, para colocar os cartuchos.

Já no começo do século, Portugal tinha conseguido trocar todas as suas armas de mecha por pederneiras, e estas, devido a ausência de uma indústria de armas na metrópole, eram majoritariamente de origem inglesa, apesar de se saber que havia armas de outros países, como dos Países Baixos Espanhóis (que depois seria a Bélgica), Alemanha, França e até de Portugal.

Há poucas informações sobre as armas usadas no Brasil, mas pelos textos disponíveis, percebe-se que não havia muita regularidade - alguns documentos que tratam de munição mencionam a existência de três calibres de espingardas, sendo que estes conviviam em uma mesma capitania, como o Rio Grande do Sul de 1776. Outro problema, inerente da condições de colônia do Brasil, era que para cá não eram enviados os melhores equipamentos, normalmente destinados apenas as tropas da metrópole, daí se entendendo a reclamação de um dos comandantes da Casa de Armas da Conceição, no Rio de Janeiro, que escrevia em 1798:

"Pelo Mapa do Armamento que existe nesta Real Casa das Armas, ver V. Ex.a não só o diminuto provimento deste necessário gênero, mas a ruína que inutiliza a maior parte. Os débeis concertos que nesta Real fabrica se podiam fazer, não prometem duração dilatada, nem aumentarão o necessário a uma décima parte da precisão. Não prometem duração, porquê havendo servido a maior parte deste armamento a mais de 50 anos nesta conquista, se acham gastos as principais peças dos seus resortes [mecanismos]; e os mesmos canos, que na ardência dos fogos de um combate farão temer aos que deles se servirem. Estes Armamentos Ex.mo Senhor, que ornando a simetria de sua real Casa, parecem sobressalentes; não são mais que Armamentos refutados pelos Regimentos, que os tem usado; e que aqui se tem consertado a remediar.

Talvez se forem remetidos para a fundição de Lisboa, se tirasse deles algum lucro, refundindo-se os incapazes; e aproveitando-se as peças; que na grande fabrica se poderiam adotar para o aparelho de uma nova reforma."

O resultado foi a existência de um grande número de armas diferentes no país, sendo difícil - se não impossível - escrever-se sobre “modelos” e “padrões” de armamentos.

Sobre as armas, a principal modificação que aconteceu no século (depois da transformação da mecha para fulminante), pode parecer muito pequena, mas teve uma profunda importância no uso das armas. Até meados do século, no sistema de carregamento, se usava uma vareta (ver carregamento) para calcar a carga e projétil no cano. Esta era de madeira e era muito sujeita a quebrar, especialmente no calor do combate. Para evitar isso o soldado era treinado para tomar bastante cuidado com ela (se não a arma ficaria inútil), o que tornava o carregamento - e a cadência de fogo das unidades - mais lenta. A solução, aparentemente simples, mas de execução cara, foi a mudança da vareta de madeira por uma de ferro, o que se deu na Inglaterra por volta de 1768, mas que aconteceu muito mais lentamente no Brasil: há referências que ainda em 1801 os soldados de artilharia do Rio de Janeiro ainda usavam, em sua maioria, espingardas com varetas de madeira, mostrando o descaso que era dado por Portugal às tropas coloniais.

Para encerrar, voltamos a frisar o que já dissemos acima: o armamento Português no Brasil era diversificado ao extremo, com diferentes modelos e origens. A isso soma-se as técnicas de fabricação, ainda artesanais. Outro problema é que se conhecem muito poucos exemplares ou documentos iconográficos confiáveis sobre os equipamentos utilizados no Brasil, de forma que nos concentramos nas armas inglesas, para servir como ponto de referência. Acautelamos o leitor para que esse não considere o que vamos escrever como sendo exemplos de padrões rígidos das armas.

Páginas complementares:

Carregamento & Eficácia