Espadas

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A moda, no que tange às espadas, reflete o momento europeu, onde ainda havia o emprego generalizado de armaduras, de forma que as lâminas eram relativamente curtas e espessas, para poderem afetar as armaduras. As guardas eram simples, pois as mãos dos homens d’armas eram protegidas por armaduras.

Espada encontrada em escavações na Região de Porto Seguro (acervo do MHN). Esta arma é uma das mais antigas com associação comprovado com a história do Brasil. Tem o estilo de lâminas usadas no século XV e início do XVI, sendo que a sua guarda, em forma de meia-lua (crescente), permite-nos dizer que é de origem ibérica, onde a forte presença dos mouros fazia com esta forma de cruzeta fosse comum.

Com o passar dos anos, as armaduras na Europa foram ficando cada vez mais raras, já que não serviam para proteger o homem de armas do tiro das armas de fogo. Uma das conseqüências disso foi a tendência das espadas para serem mais leves (e manejáveis), ao mesmo tempo que guardas se tornaram mais complexas, para proteger a mão sem armadura, foram ficando comuns. Espadas com estas linha gerais permanecendo em uso, com algumas variações, até o fim do uso da arma branca como equipamento bélico.

Mais para o final do século XVI a moda novamente mudou, começando a se tornar predominantes na Europa as rapieiras, termo que vem de “espada ropera”, a espada que se usa com a roupa e não com a armadura, ou seja, a espada para uso diário e não aquela que se usava somente para o combate. As rapieiras eram armas mais adequadas para a esgrima - tanto é que os primeiros manuais de esgrima são escritos para essa arma - tendo lâminas longas (as vezes chegando a 1,5 metro), usualmente sem gume e tendo guardas elaboradas para proteger as mãos, podendo também servir como uma espécie de “soco inglês” e para prender a ponta da lâmina do adversário, para desarma-lo.

Esgrima com rapieiras e mantos, de um manual de esgrima do século XVI.

A rapieira sempre foi uma peça de uso cotidiano, não só de militares, mas também de civis, mesmo porquê esta distinção entre civis e militares não era clara nos séculos XVI e XVII. A ética que permeou todo o período colonial fazia com que as pessoas pensassem na espada como atributo da nobreza - os plebeus não podiam usar armas - de forma que todos os que podiam, procuravam adquirir e andar permanentemente com uma espada, para poderem se denominar “fidalgos.”. Essa espada de uso cotidiano, nos séculos XVI, XVII e XVIII era, normalmente, uma rapieira.

Como uma arma de uso diário, ela passou por modificações ao longo de sua existência. Inicialmente projetada para servir apenas como um estoque, na esgrima de ponta, devido aos gostos ibéricos, Na Espanha e em Portugal, foi ficando mais curta e sua lâmina mais larga ao longo dos anos, para poder se adaptar a esgrima de gume. Não se pode falar em modelos fixos, com características precisas, mas este gosto nacional fez surgir uma forma de rapieira mais específica da região ibérica, conhecida como “copo de tigela”. Este tipo de guarda, junto com a lâmina mais larga, fez surgir um estilo de arma bem específico dos países ibéricos, distinto dos outros da Europa - a rapieira curta, de lâmina triangular, para esgrima de ponta, típica do século XVIII.

Rapieira do século XVI-XVII, mostrando a guarda mais complexa. Acervo do Museu Histórico Nacional.

Rapieira do Conde de Bobadela, mostrando a permanência do estilo ainda no século XVIII. A guarda, "em tijela", é típica da Península Ibérica. Acervo do Museu Histórico Nacional.