Mosquete

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Mosqueteiro sendo atacado por cavalaria pesada, séc. XVI. No campo de batalha, a lenta cadência de fogo da arma fazia com que tal conflito favorecesse a cavalaria.

Arma introduzida mais para o final do século XVI, em função da prática adotada por alguns cavaleiros, de usar uma armadura reforçada, capaz de resistir ao disparo de um arcabuz. Tinha um calibre mais reforçado, sendo portanto mais pesada que o arcabuz - chegando a pesar 11 kg, com calibre de até 24 mm e um alcance de cerca de 220 metros (apesar de a possibilidade de se acertar um alvo a essa distância ser muito pequena). Para poder ser disparada, era usada com uma forquilha e os soldados armados com ela tinham mais prestígio - e salário -, de forma que cremos ser esta a razão da arma ter sido usada no Brasil a partir do século XVII, junto com os arcabuzes, mais convencionais.

Mosqueteiro. De Gheyn, 1607.

De fato, apesar da noção romântica, que coloca os índios de Felipe Camarão e os negros de Henrique Dias como estando armados com armas improvisadas, isso não era verdade: em 1646, o Terço de Felipe Camarão era composto de “seiscentos soldados, a saber, trezentos e cinqüenta índios de seu terço, bons mosqueteiros, bem disciplinados na milícia (...) e cento e cinqüenta tapuias flecheiros (...)”, mostrando o interesse que a arma gerava, apesar de ser mais pesada, incômoda para uso (devido a forquilha) e, de certa forma, inútil, devido a ausência de cavalaria no país.

Apesar de todo o prestígio dessa arma, ela foi desaparecendo, na Europa e no Brasil, ao longo da segunda metade do século XVII, pois a cavalaria abandonou qualquer tentativa de se proteger contra as balas dos atiradores, de forma que, no final do século, o mosquete já tinha sido totalmente substituído pelos arcabuzes, agora rebatizados com o velho nome de espingarda.