Mauser Belga

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Mecanismo da Mauser 1889, parcialmente carregada, com três cartuchos no depósito.

Pode parecer monótono, mas essa é outra das armas usadas pelo Brasil que é praticamente desconhecida aqui. Quase não há menções a ela na nossa literatura especializada, apesar de não ser difícil de encontrá-la em coleções de museus.

É um desenho feita pela fábrica Mauser para a Bélgica e usava o famoso ferrolho desenhado pelos irmãos Mauser, tendo um depósito para cinco cartuchos. Estes ficavam uns sobre os outros, como na Mannlicher, e também eram alimentadas por um carregador descartável, contudo o carregador era jogado fora no momento de municiar a arma, não havendo o buraco na parte inferior do mecanismo, como nas armas de Mannlicher.

A carabina foi adotada oficialmente na Bélgica em 1889, sendo um desenho revolucionário, mas só foram efetivamente distribuídas naquele país três anos depois. Isso fez com que o desenho fosse conhecido mundialmente, tendo sido copiado por outros países, como na Turquia, Espanha e, com grande relevância nós – na Argentina. Contudo, não estava disponível no mercado em grandes números.

Carregador descartável

Devido à excelência do desenho, ela foi uma das armas que foi analisada no início da República, para a escolha de um eventual substituto da Comblain. Contudo – e apesar de não possuir os inúmeros defeitos da Mannlicher 88, a arma Belga não foi escolhida, ficando em segundo lugar nos testes. Mesmo não tendo localizado os registros da Comissão de Melhoramentos que trataram do Assunto, cremos que o motivo dessa escolha estejam relacionados com o fato da arma, em 1891, ainda não estar em uso em nenhum exército e não estar disponível em números suficientes para distribuição à tropa. Isto não era o caso da Mannlicher, já em pleno uso na Alemanha e também disponível em fabricantes austríacos.

Apesar deste fato, sabemos que um certo número de Mausers belgas foram compradas, aparentemente para equipar tropas que estavam combatendo em Canudos, mesmo não tendo conseguido confirmar o fato através das fotos existentes. A carabina aparece, de forma furtiva, na documentação, quando é mencionado um número razoável de baionetas para ela, que estavam "entrando em carga" no Arsenal (1901), ou quando a mesma organização estabeleceu uma tabela de preços para os consertos que poderiam ser feitas na arma, em 1903 – um indicativo que esses serviços eram rotineiros.

Corte da arma mostrando o depósito vertical de cartuchos. 

O problema é que não temos condições de estabelecer qual seria o número de armas compradas ou usadas, pois os documentos na maior parte das vezes mencionam apenas carabinas "Mauser belgas", como um ofício do Diretor do Arsenal de Guerra de janeiro de 1898 onde constava:

"Peço-vos como membro da comissão técnica militar consultiva, encarregado do exame do fuzil de sistema Mauser Belga, que se acha nos barracões da praia da Saudade, em nome do Sr. General Presidente da mesma comissão para que sejam enviados com a máxima urgência, quarenta cunhetes de 1500 cartuchos dos já inutilizados, com destino aos citados barracões para o exame final em 600 caixas contendo cada uma 20 fuzis ou ao todo 12000. Capital federal, 14/01/1898".

Isso poderia implicar que teriam sido comprados, pelo menos, 12.000 armas do sistema, mas também pode ser uma confusão com as armas do modelo 1895, algumas das quais foram compradas na fábrica Herstal, na Bélgica (a mesma que fabricava as carabinas do modelo 1889 existentes em museus no Brasil!). Devido ao alto número de armas mencionado neste documento, nossa opinião é que elas são do modelo Brasileiro e não do de 1889, conforme poderia parecer a uma primeira vista.

De qualquer forma, a arma desaparece logo da documentação – e do Exército, pois o seu cartucho (7,65x53 mm, o mesmo usado na Argentina), era fora dos padrões do Exército, não havendo motivo para continuar em serviço. Além disso, o Mauser 1895 adotado aqui era um desenho superior, devido a detalhes do ferrolho, a omissão do sobre cano da arma Belga e, principalmente, devido à uma característica técnica que pode parecer pequena, mas não é: na modelo 1889, os cartuchos ficavam exatamente um sobre outro, de forma que o depósito era longo, ultrapassando a coronha e ficando exposto, o que o tornava mais frágil, em relação ao desenho da arma de modelo brasileiro.

Carabina Mauser 1889

Dados técnicos:

Calibre:

7,65x53 mm

Comprimento:

127,5 cm

Peso:

 3,90 kg

Raias:

4 a direita

Alcance útil:

500 m

Alça de mira:

até 2.000 m

Cadência de fogo (útil):

22 tiros por minuto

Cadência de fogo (max):

40 tiros por minuto

Velocidade inicial:

610 m/s