Mauser 1895

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Ferrolho da Mauser 1895, de um manual da Marinha Brasileira.

O fracasso da Mannlicher 88 nas operações da Revolta Federalista e no próprio uso diário dela, além das necessidades de se equipar a tropa envolvida em combates da Revolução Federalista, fizeram com que a questão do armamento regulamentar fosse reexaminada. O Mauser belga de 1889, que tinha ficado em segundo lugar nos testes de armas do início da República, foi novamente cogitado para adoção. Contudo, ele não podia ser considerada mais como ideal, especialmente se comparado com os fuzis que estavam sendo adotados na Europa naquele momento, como o modelo Espanhol, de 1893.

Brasão da República, gravado em uma carabina 1895

A arma espanhola, não era muito diferente da belga, mas dispensava o complicado e inútil sobrecano usado por ela e pela Mannlicher e tinha uma inovação muito simples e eficaz em relação aos modelos anteriores: os cartuchos eram arranjados de forma a que ficassem escalonados (em zig-zag) no depósito da arma, e não mais uns sobre os outros. Essa pequena mudança foi suficiente para que o depósito fosse encurtado e ficasse inteiramente encoberto pela coronha, protegendo-o.

Estudada no Brasil, onde chegou a haver um modelo intermediário, conhecido como "sistema da Comissão Técnica Militar Consultiva" ou modelo Brasileiro de 1893 (calibre 7,5 mm), a arma espanhola viria a sofrer algumas pequenas modificações, criando o que é conhecido erroneamente como "modelo 1894", devido ao fato de que esta data vem marcada nas armas adquiridas na Fábrica de Ludwig Löewe. As carabinas feitas na Fábrica Herstal, na Bélgica, vem com a data 1895, o que gerou alguma confusão – há documentos oficiais da Diretoria de Material Bélico que mencionam dois modelos, um de 1894 e outro do ano seguinte. Entretanto, isso não é correto, pois os manual distribuído a tropa e outros documentos do período deixam claro que a o nome correto era "modelo 1895", independente do ano que esteja marcado nela.

Mecanismo de uma arma feita pela Löewe, mostrando a data "1894"

Pelo menos 75.000 carabinas foram entregues ao Governo Brasileiro: em 1899 havia 57.000 em depósito, só no Rio de Janeiro, sem contar as armas distribuídas a tropa e nos outros arsenais, além de na Marinha. Em nossa opinião, a compra de 100.000 armas é mais provável (ou até um número maior – a Argentina tinha comprado 180.000 fuzis e 30.000 clavinas do seu modelo 1891, o equivalente ao Mauser Brasileiro), apesar de não termos como comprovar isso. De qualquer forma, o número foi mais do que suficiente para equipar todo o Exército daquele momento, composto por 28.000 homens (o dobro em caso de guerra, números que incluem a cavalaria que estava armada com as clavinas do sistema). Desta forma, a encomenda garantiu a substituição definitiva das Comblain, Mannlicher, e as eventuais Mauser belgas aqui usadas.

Uma mauser encostada na "Bateria do Perigo", Canudos, 1898.

Chegaram a tempo de participar dos combates da Revolução Federalista, Revolta da Armada e, principalmente, Canudos, apesar de ainda terem convivido com outras de modelos mais antigos. Em 1908, a adição de um modelo ligeiramente aperfeiçoado, colocou as M1895 em depósito, apesar delas continuarem a ser consideradas como armas regulamentares até a década de 1950. Além disso, foram muito usadas pelas forças públicas de diversos estados, como no Rio de Janeiro, onde ainda podiam ser vistas nas mãos de policiais militares em 1996. Na Revolução Constitucionalista de 1932, cerca de metade das armas disponíveis aos revolucionários paulistas eram as velhas mauser 1895.

Fuzileiros Navais se exercitam com mausers na Urca, 1907.

Para finalizar, apontamos um ponto interessante sobre o cartucho da mauser 1895. O projétil original, de calibre 7 mm, era de "ogiva simples", "não pontiagudo", ou seja, tinha os lados paralelos até a ponta, hemisférica. Este tipo de ponta não é ideal do ponto de vista balístico. Com a adoção da Mauser 1908, ele deveria ter sido abandonado, já que os novos projéteis eram compatíveis com os anteriores, mas não foi, por dois motivos. O primeiro é que as novas pólvoras usadas eram muito mais poderosas que as antigas, tornando o seu uso nas armas mais velhas perigoso. Mas ainda mais importante, era o fato que as metralhadoras francesas adotadas em 1921-1922, devido a erros do projeto francês, não aceitavam a munição nova, de forma que os cartuchos de 1894 continuaram em uso ainda por muitos anos.

Carabina Mauser 1895

Dados técnicos:

Calibre:

7x57  mm

Comprimento:

114,2 cm

Peso:

 4,2 kg

Raias:

4 a direita

Alcance útil:

600 m

Alça de mira:

de 400 a 2000 m

Cadência de fogo (útil):

22 tiros por minuto

Cadência de fogo (max):

40 tiros por minuto

Velocidade inicial:

697 m/s