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Soldado de batalhão patriótico, armado com Kropatschek 8 mm, Morro do Castelo, Revolta da Armada, 1895. |
Este é um desenho de carabina originalmente adotado pela Marinha Francesa em 1878. Como a maior parte das armas de repetição do período, o depósito de munição era tubular e ficava por baixo do cano, como nas carabinas Winchester, havia um elevador no mecanismo, próximo ao ferrolho, que alimentava os cartuchos um a um. Este sistema, naturalmente, obrigava que a arma fosse municiada com cartuchos individuais, o que retardava o carregamento da arma. De fato, em fogos muito prolongados, era mais eficiente usar a arma em tiro simples do que em repetição, pois alimentar o carregador com cartuchos individuais levava mais tempo do que colocar os cartuchos diretamente na câmara. Por exemplo, em uma experiência francesa soldados conseguiram dar 1.306 disparos alimentando a arma com cartuchos individuais, enquanto no mesmo tempo, o mesmo grupo de soldados, só conseguiu dar 968 disparos alimentando o carregador e depois disparando a arma em tiro de repetição.
Outro defeito das armas de carregador tubular, especialmente as de calibre mais elevado (e que, portanto, tinham cartuchos mais pesados), era a mudança do centro de gravidade da arma a cada disparo: a fila de cartuchos sob o cano ia ficando mais curta, fazendo com que o peso se concentrasse, a cada tiro, mais para trás da arma. Isso atrapalhava a pontaria do atirador, especialmente em fogo rápido.
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Mecanismo da Kropatschek 11 mm, mostrando o sistema de alimentação dos cartuchos |
Finalmente, um último inconveniente, inerente das armas de carregador tubular, era o fato de que os cartuchos ficavam um atrás do outro, a ponta de um tocando a espoleta do que ficava à frente: um coisa perigosa, pois isso podia acarretar a detonação prematura do cartucho e a explosão da arma. Por causa disso, os cartuchos desse tipo tem a ponta plana, para diminuir o perigo, mas isso acarreta problemas aerodinâmicos, além de não eliminar totalmente o risco de detonação prematura.
No Brasil, em setembro de 1882, o Conde D’Eu, presidente da Comissão de Melhoramentos do Material do Exército, após esta ter examinado as Kropatschek a pedido do Ministério da Marinha, recomendava a adoção da arma na esquadra, em substituição das Westley-Richards, nos seguintes termos:
"a conveniência de fazer-se aquisição de armas de tiro múltiplo, ou de repetição para as praças dos nossos navios de guerra, em substituição das armas Westley-Richards – que possui e que já não são as mais próprias, entretanto que para elas pretende-se, segundo consta, encomendar para a Europa avultado cartuchame, venho submeter à consideração do Governo Imperial semelhante proposta, cabendo-me declarar que a mesma Comissão julga poder ser adotada para o mencionado serviço da marinha a arma de repetição denominada – Kropatschek – da qual possuímos alguns specimens, que tem sido experimentados por vários países sendo por alguns deles adotada".
Essa compra de armas francesas, de calibre 11 mm, foi feita, dando à Marinha uma vantagem em relação às tropas de terra: os fuzileiros navais passaram a dispor de uma arma de repetição, enquanto a tropa de terra ainda tinha que se valer das Comblains. Essa encomenda, de armas do modelo Francês, chegou em 1884, sendo elas experimentadas pela primeira vez nas manobras anfíbias de fevereiro de 1885.
Essa vantagem se justificava no pensamento da época, pois:
"Mais do que as tropas de terra, carecem as navais, para certas operações que lhes cabem, principalmente nos desembarques, de uma arma capaz de suprir, por suas qualidades adequadas à guerra, a deficiência do número de atiradores pela grande massa de fogos, o que importa dar-lhes uma arma de repetição".
Voltando à Europa, além do modelo francês – que usava um obsoleto ferrolho de fuzil Gras, sem trave de segurança – outra carabina no também foi adotada, o modelo 1886 do Exército Português. Basicamente era a mesma arma de desenho francês, com pequenas alterações, como o ferrolho que seguia o desenho de Mauser (com trava de segurança) e o calibre reduzido, para 8 mm, disparando pólvora sem fumaça. E esta característica tem uma história um tanto ao quanto curiosa, que merece ser narrada aqui.
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Cartucho 11 mm |
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Cartucho 8 mm |
Em 1885, o Exército Português tinha feito experimentos com um fuzil de desenho local, o Guedes, uma arma de tiro simples e culatra tombante, semelhante em conceito a Comblain e Westley-Richards aqui usadas. Do ponto de vista técnico, portanto, não era nenhuma novidade, a não ser pelo revolucionário cartucho de pólvora sem fumaça e de calibre reduzido, o primeiro a ser adotado em todo mundo. 40.000 armas desse modelo foram encomendadas à fábrica Steyr, na Áustria, já que Portugal não tinha condições de fabricá-las.
Mas o mecanismo da Guedes era obsoleto – naquele ano já não era imaginável armar a tropa com armas de tiro simples, de forma que mentes lúcidas do Exército Português perceberam o erro e suspenderam a encomenda após apenas um pequeno número de Guedes ter sido feito. Ao invés, foi encomendado à Fábrica Steyr a fabricação de fuzis Kropatschek, usando a munição desenvolvida para o Guedes.
Com a introdução do modelo português, pouco depois da chegada das primeiras Kropatschek ao Brasil, ficou claro que a arma de nossa marinha não era ideal. Por azar das circunstâncias, a carabina tinha ficado obsoleta em apenas um ano. Desta forma que a Marinha logo procurou adquirir as armas do modelo português para substituir as então em uso, o que foi feito por volta de 1891 (o Jornal do Brasil, de 19 de setembro daquele ano, informava que o Ten.-Cel. Antônio Francisco Duarte tinha recebido ordens de comprar "cartuchos de pólvora sem fumaça, sistema Nobel, para carabinas Kruppcthcf (sic) do calibre 8 mm, pondo urgência na remessa das armas de repetição, já encomendadas").
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Carabina Guedes. Acervo do Museu Histórico Nacional |
Novamente essa compra foi uma decisão infeliz. Naquele ano já estavam se fazendo testes para a escolha de uma nova arma para o Exército e o modelo escolhido era claramente superior à Kropatschek. A Mannlicher tinha um depósito de cartuchos vertical, que podia ser alimentado com carregadores de cinco cartuchos e, desta forma, a nova Kropatschek já chegou ao Brasil obsoleta, tendo uma carreira na Marinha muito curta. Em 1895, um manual do Exército já colocava:
"... numerosos [são os] espécimes de armas [de carregador tubular] conhecidas, algumas das quais ainda são armas regulamentares em diversos países como é a Lebel em França, a Kropatschek, ora abandonada pela nossa marinha e em uso no exército português, e algumas mais já consideradas antiquadas em relação aos melhores tipos posteriormente inventados e estudados". (o grifo é nosso).
Além da Marinha Brasileira, sabe-se que o Exército usou um pequeno número de armas desse modelo durante a Revolta da Armada – talvez oriundas da própria Marinha, quando os depósitos da Armação foram capturados, pois ela já era obsoleta em 1892 e havia uma arma padrão melhor em uso, a Mannlicher, não havendo motivos para sua compra pelo Exército.
De qualquer forma, elas saíram de serviço definitivamente em 1895, quando foram adotadas as Mauser, desaparecendo logo de uso, por causa de seus defeitos de projeto, com tratados mais acima.
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Carabina Kropatschek 11 mm Dados técnicos: |
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Calibre: |
11 mm |
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Comprimento: |
122,3 cm |
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Peso: |
4,49
kg |
| Raias: |
4 a direita |
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Alcance útil: |
500 m |
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Alça de mira: |
350 a 1800 m |
| Carregador: |
7 cartuchos |
| Cadência de fogo (útil): |
10 t.p.m. (*) |
| Cadência de fogo (max): |
18 tiros por minuto |
| Velocidade inicial: |
420 m/s |
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(*) em fogo rápido, podia-se disparar os 8 cartuchos da arma em 20 segundos 84 centésimos |
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Carabina Kropatschek 8 mm Dados técnicos: |
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Calibre: |
8 mm |
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Comprimento: |
132 cm |
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Peso: |
4,55
kg |
| Raias: |
4 a direita |
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Alcance útil: |
500 m |
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Alça de mira: |
2.000 m |
| Carregador: |
7 cartuchos |
| Cadência de fogo (útil): |
10 t.p.m. (*) |
| Cadência de fogo (max): |
18 tiros por minuto |
| Velocidade inicial: |
532 m/s |
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(*) em fogo rápido, podia-se disparar os 8 cartuchos da arma em 16 segundos 84 centésimos |
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