Comblain

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O inventor e uma das suas armas.

A Comblain teve uma longa e curiosa história no Exército Brasileiro. Vencedora de uma competição na qual foram testados 12 modelos diferentes de armas, era baseada em um modelo usado pela Guarda Cívica belga, apesar de ter notáveis diferenças com relação à ela, gerando um modelo genuinamente Brasileiro, apesar de ter sido fabricado por um consórcio de fabricantes belgas.

Cartuchos de Boxer, feitos no Laboratório de Campinho. Acervo do Museu de Armas Ferreira da Cunha

O funcionamento da arma era relativamente simples: o bloco da culatra era móvel, descendo verticalmente em um trilho quando a alavanca de armar – que também servia de guarda-mato – era puxada para baixo. Isso abria a câmara e permita a colocação de um cartucho. Este era do tipo chamado de Boxer, de ouropel, ou seja, feito de uma folha de latão enrolado, fabricado localmente nos laboratórios pirotécnicos de Campinho (RJ), Menino de Deus (RS) e de Cuiabá (MS). Este tipo de cartucho, preferido para todas as armas usadas pelo Exército (mas não pela Marinha, que muitas vezes usava munição importada), era simples, barato e de fácil fabricação (exigia menos de metade das operações que eram necessárias para os cartuchos inteiriços), mas causava uma série de problemas em alguns dos equipamentos usados, especialmente nas Winchesters e nas metralhadoras, de forma que começou a ser substituído por volta de 1891, por um cartucho normal, inteiriço.

Estado menor do Batalhão Patriótico "Moreira César", armado com Comblains 3 ou 4. Canudos, 1898. 

No Brasil, quando foi adotada em 1873, não foi considerada como ideal, gerando uma série de modificações locais que pouco acrescentaram a armas, mas que resultaram em uma série de variantes muito interessantes, especialmente no mecanismo de presilha, a sapata. Chegou até a ser feita uma quadrinha de sátira a essas modificações – atribuída ao próprio Imperador – falando que "andam a pôr e tirar sapatas no fuzil, mas afinal de contas, quem fica descalço é o Tesouro".

As Comblain continuaram a ser a arma regulamentar da infantaria do Império até 1892, quando começaram a ser substituídas pelas Mannlicher, e ainda seria usada depois disso, na Revolução Federalista, na Revolta da Armada e Canudos. Em forças policiais, continuaria em uso por décadas ainda, havendo menção ao seu uso pela Polícia da Paraíba, na Revolta de Princesa, de 1930.