Chassepot

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A Chassepot francesa era um aperfeiçoamento da idéia de Dreyse alemã. Como ela, usava um cartucho de papel combustível, mas tinha pequenas inovações, como o uso de um obturador de borracha e a mudança da posição da espoleta, agora na base do cartucho e não mais preso ao projétil. Isto tornava a arma mais confiável e eficiente que o desenho alemão, apesar disso não ter sido suficiente para garantir a vitória francesa na guerra de 1870.

Mecanismo da arma. Em vermelho, a longa agulha percussora. Em verde, o sistema de vedação em borracha.

O Brasil chegou a estudar a sua adoção para a guerra do Paraguai, sendo ela uma das armas que passaram pelos testes competitivos que foram feitos a partir de 1868. Não foi a escolhida, contudo, a Roberts sendo adotada para testes em grande escala.

Apesar disso, em 1872, o Império se viu frente à uma nova ameaça de guerra no Sul, em torno das excessivas reivindicações territoriais feitas pela Argentina após a derrota do Paraguai (ela pedia cerca de 50% do território do inimigo derrotado, o que não era aceitável para o Império).

Como uma forma de enfrentar a ameaça de conflito, o ministro da Guerra informou no relatório daquele ano, que o governo tinha adquirido 8.631 "espingardas Chassepot, que foram compradas por motivos que não são desconhecidos, e porque era a única espécie de arma moderna de que havia provisão nos mercados da Europa".

A carabina e seu longo sabre-baioneta-iatagã, modelo 1866.

Essas armas, entretanto, nunca foram distribuídas oficialmente ao Exército, apesar da Comissão de Melhoramentos ter preparado e mandado publicar uma edição de 3.000 exemplares de um manual dela. Não havia razões de as repassar para a tropa, quando já havia a decisão de compra das Comblain, além do fato que as carabinas não eram muito boas: o índice de falhas nos disparos era de 30 a 40%, conforme um relatório da Comissão de melhoramentos coloca:

"O cartuchame Chassepot que veio da Europa sendo empregado em exercícios deram um número avultado de falhas: examinado com atenção verificou-se que o seu defeito não provinha da fabricação mas era inerente ao próprio sistema de cartucho, assim como da arma, ficando inteiramente reconhecido que, tanto aqueles com esta são incapazes de fazerem parte do armamento de um bom exército".

Cartucho de papel.

Tentativas foram feitas de se aproveitar a arma, como a da transformação da arma para disparar o cartucho Comblain, no Arsenal de Guerra da Corte, em 1874/1875, mas isso não foi feito em escala, as armas terminando a sua carreira em depósito ou entregues à polícias e clubes de tiro. Esses clubes ainda recebiam a arma em, 1909, como parte do auxílio do Exército à formação de reservistas, mas cremos que então eram usadas apenas para exercícios de ordem unida. A última menção que encontramos a este armamento é de 1914 (!), quando o Arsenal do Rio recebeu um grupo de armas para reparos – mostrando a longevidade de um desenho que nunca foi regulamentar no país.

Uma nota final: o cano da desta carabina é quase idêntico ao da Comblain. Desta forma, sua baioneta muitas vezes encaixa na Comblain e vice-versa, pois são do mesmo modelo. A única diferença observável nas armas é que as baionetas belgas tem o número de série da arma, enquanto as francesas não. Além disso, a bainha regulamentar Comblain é de couro, enquanto a francesa é de aço.

Carabina Chassepot M1866

Dados técnicos:

Calibre:

11  mm

Comprimento:

130,5 cm

Peso:

 4,14 kg

Raias:

4 a direita

Alcance útil:

300 m

Alça de mira:

de 200 a 1200 m

Cadência de fogo (útil):

6 tiros por minuto

Cadência de fogo (max):

12 tiros por minuto

Velocidade inicial:

420 m/s