A situação complexa das armas de fogo na Guerra do Paraguai, quando o exército teve que lidar com armas de dois calibres diferentes, usando nada menos do que 14 (quatorze!) cartuchos diferentes em suas armas portáteis (ver sistema Minié), não era mais aceitável em tempos de paz. Igualmente, a experiência da guerra tinha mostrado que as armas de cartucho metálico, como as Spencer, tinham diversas vantagens. Desta maneira, a Comissão de Melhoramentos do material de Guerra fez exames competitivos, visando definir qual seria a nova arma a ser adotada pela infantaria. A escolha do Exército recaiu sobre a arma belga Comblain, enquanto a Marinha, baseada nas mesmas experiências, preferiu a Westley-Richards.
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Guarda Nacional armado com Comblains, Rio de Janeiro, Revolta da Armada, 1895. |
Ambas as carabinas eram de tiro simples, como as usadas na maior parte dos exércitos de então – e isto pode até parecer como curioso nos dias de hoje, tendo em vista que a arma que tinha demonstrado as vantagens do sistema de retrocarga no país era de repetição, a Spencer. Isto pode ser entendido tendo em vista a filosofia da época, que via com grande receio o uso de um equipamento de tiro rápido por parte do soldado comum, temendo que este, no calor da batalha, perdesse o controle e desperdiçasse munição com tiros sem pontaria.
Em uma manobra de vulto, realizada em 1884, o comandante da Escola de Tiro, Coronel Francisco Antonio de Moura, comentava sobre o sistema de remuniciamento dos soldados, então adotado:
"Se os Franceses e Prussianos empregam esse meio [remuniciamento por serventes a pé] é por que contam com a disciplina e instrução dos seus oficiais e praças, que afeitos a constantes exercícios nas escolas de fogo, e por isso conhecendo bem o valor do tiro de precisão e os perigos do fogo rápido fora de certos casos excepcionais, sabem economizar suas munições empregando-as utilmente.
O nosso exército infelizmente não está nessas condições".
Este conservadorismo de idéias também pôde ser observado na cavalaria. O conde D’Eu tinha adotado como medida revolucionária no final da Guerra do Paraguai, a criação de unidades ad hoc de atiradores, muito mais eficientes que as anteriores, que eram mistas com lanceiros. Contudo, este bem sucedido experimento foi abandonado após a guerra, se retornando à organização antiga. Esta filosofia era tão restritiva que os soldados de cavalaria, embora armados com clavinas de repetição, não eram treinados para fazer fogo rápido. O resultado: em manobras, a infantaria conseguia manter uma cadência de tiro superior à cavalaria!
No final da década de 1880 era óbvio que a mudança das armas padrão de infantaria era necessária. Estranhamente, o processo começou na Marinha, com a compra das Kropatschek. O Exército seguiu aos trancos e barrancos, até a compra das Mausers no final do século. Estas seriam o equipamento padrão de nossa infantaria por cerca de 70 anos.