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Oficiais de cavalaria, 1894. O da esquerda está com um "sabre de serviço interno" e com o uniforme de serviço. O da direita está com uniforme de gala. |
Este é um sabre, conhecido como "espada de serviço interno", que foi introduzido no início da República, (por volta de 1890), sendo um dos casos mais estranhos que conhecemos no ramo da armaria.
Não era uma arma propriamente dita, pois não se destinava ao combate. De fato, não podia sequer ser usado para isso de forma improvisada. Os sabres regulamentares do Império – ou qualquer outra arma destinada a luta – quando tinham decorações, essas eram restritas ao "forte", a parte inferior da lâmina, usada para defesa. A parte dianteira da lâmina, e seu bisel (quando havia) eram mantidos sem decorações, para poderem receber fio e servirem para atacar o inimigo. Ao contrário deste padrão, a espada de uso interno, além de ser muito mais decorada, era cromada, fina, tinha uma guarda em cruzeta de funções meramente simbólicas e era demasiadamente curta e leve para a luta com sabres.
Se não servia para o combate, porque foi adotada, especialmente considerando que naquele momento ainda se julgava que a arma branca teria seu lugar no campo de batalha?
A razão é simples, apesar de estranha: a farda de serviço diário do plano de uniformes adotado na República não previa um talim (cinturão) externo à túnica, de forma que os oficias não tinham condições de portar a espada modelo 1851, que tinha uma guarda fechada de grandes dimensões. Mas uma espada era necessária no dia-a-dia, para as cerimônias normais de uma guarnição: prestar continências, saudar a bandeira, e assim por diante. Desta forma foi adotada esta arma, bem simples e leve, para não ser incômoda, podendo ser usada presa por correias do cinto normal, nas calças (pequenas correias atravessavam a túnica, para sustentar a bainha). Para o combate, era usada outro sabre, com uma guarda mais eficiente e uma lâmina mais simples, que podia ser afiada.
Esta idéia de uso de duas armas para os oficiais, teve curta duração, desaparecendo já em 1910, com a introdução de uma espada de oficial de infantaria e um sabre de oficial de cavalaria novos.
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Sabre de serviço interno. Acervo do Museu Histórico Nacional. |
Fazemos duas observações finais: a primeira é que esta arma é quase idêntica à espada 1890, de uso da Escola Militar e dos inferiores do exército. Contudo, não pode ser confundida com ela, pois era um pouco mais longa, tendo 88 cm de comprimento total e 74 cm de lâmina (medidas ainda assim inferiores às de uma boa arma de combate: o sabre de cavalaria padrão do período tinha 105 cm de comprimento total).
A segunda observação é relativa ao nome, que hora aparece como "espada" hora como "sabre". Esta arma é definitivamente um sabre: uma lâmina ligeiramente curva, com o gume em apenas um dos lados da mesma. Apesar disso, no Exército, era conhecida como "espada", prática que continuou até os dias de hoje, gerando as citadas confusões.