Armas Brancas

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Detalhe de uma pintura de Candido Lopes, mostrando lanceiros brasileiros no ataque a Curupaiti, 1866.

O período do final do Império vai marcar o fim do uso das armas brancas como reais equipamentos de combate, apesar disso não ter sido claro naquele momento. De fato, no final da Guerra do Paraguai, o Conde d’Eu tinha reorganizado a cavalaria brasileira em linhas modernas, com regimentos improvisados, totalmente armados com clavinas Spencer de repetição, ao invés da organização tradicional, com regimentos mistos de esquadrões de lanceiros e atiradores, com a maior parte dos soldados sendo armadas com lanças. Após a Guerra, contudo, elementos mais conservadores prevaleceram e a organização tradicional foi re-introduzida – um grande retrocesso. Naquele momento, uma carga de tradicional, com lanças ou o avanço da infantaria a "ponta de baioneta", já era impossível, devido ao poder de fogo defensivo que as novas armas de carregar pela culatra traziam. Mas a tradição era ainda muito forte, como a Primeira Guerra demonstraria nos campos de batalha da Europa...

Neste período, as maiores modificações que ocorreram foram nas lanças – talvez um sintoma da diminuição da importância da arma, já que o número de cavaleiros tradicionais, formados na pecuária dos pampas, começava a diminuir, sendo necessário compensar isso. A espada do modelo 1851, tanto a dos oficiais do exército, como da Guarda Nacional continuou a ser a arma padrão, mas na tropa, novos modelos foram introduzidos em 1881, quando foram comprados sabres na Alemanha, para as praças de cavalaria e artilharia. O velho sabre de general do modelo 1831 ainda continuaria – como continua a ser até os dias de hoje – a arma de nossos oficiais generais.

Lanças (modelo 1892?) no Estado Maior do General Barbosa, Canudos, 1898.

Os sabre serras de sapadores desaparecem da documentação, a não ser uma breve menção à "espadas de sapadores", em um pedido de compra de equipamentos de 1882 (não efetivado). Não sabemos, contudo, se foram retirados de serviço (cremos que não). Certamente, os terçados de músico continuam em uso. Sabe-se também que o terçado comum, de fuzileiros, deixou de ser usado, já que, em 1872 foi extinta a diferença entre a infantaria pesada (fuzileiros, armados com eles) e caçadores, toda a infantaria brasileira passando a usar apenas os sabres-baionetas das suas carabinas como arma de combate corpo-a-corpo.

Na marinha, chuços de abordagem, machadinhas e sabres de abordagem ainda fazem parte do equipamento de bordo dos navios, pelo menos até 1892, quando os chuços e machadinhas foram descarregados dos navios.