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Espingarda de pederneira Inglesa, de um manual militar Brasileiro, de 1851.

A arma que era considerada como “padrão” - se é que assim o podemos dizer, tendo em vista a multiplicidade de modelos em uso no Império e Regência - ainda era a Brown Bess Inglesa, normalmente dos tipo conhecidos como “India Pattern” ou “Short Land Pattern”. Algumas dessas tem o brasão do Exército: uma coroa imperial sobre as letras “PI” ou “PII”. Essas armas inglesas, conhecidas como “granadeiras” - certamente eram preferidas pelos operários do Arsenal encarregados pela seleção e compra de armas (até a década de 1850, a seleção das armas a serem compradas era de responsabilidade do mestre de armeiros do Arsenal de Guerra do Rio de Janeiro, um operário civil), apesar disso, há diversos registros de compras de armas de outras proveniências, indicativo de que as forças armadas tinham “que dar um jeito” com o que havia disponível - um problema mais grave na Marinha, que dava aos seus marinheiros equipamentos que muitas vezes eram refugados pelo Exército.

Uma segunda opção era por armas de origem belga, que normalmente seguiam desenhos do modelo francês, apesar de haver em museus e coleções particulares, exemplares de fabricação belga com marcas falsas de banco de prova inglês, pois as armas belgas valiam menos que as inglesas.

Fecho de pederneira tipo francês, de um manual militar brasileiro de 1851.

Este padrão inglês, também conhecido como de adarme 12 (ou calibre 19 mm), continuou a ser o padrão oficial das forças armadas pelo menos até 1833, quando foi substituído pelo padrão de adarme 17 (armas com calibre de 17 mm). As armas do novo modelo, baseadas em desenhos usados no exército Francês,  o último de pederneira e alma lisa a ser adotado pelo Exército Brasileiro, apesar das armas do modelo anterior continuarem em uso – cada vez mais restrito – até bem mais tarde, no início da Guerra do Paraguai.

O equipamento de adarme 17 é basicamente semelhante ao inglês, diferindo apenas por ter um fecho melhor desenhado e mais resistente, além de guarnições de latão – detalhe muito apreciado pela Marinha, pois essa material era mais resistente à corrosão causada pelos sais marinhos.

As armas de pederneira continuaram a ser distribuídas a corpos de tropa até pelo menos 1864, apesar de sua substituição já ter sido iniciada em 1850, pelas espingardas de fulminantes – toda a tropa que seguiu para o Paraguai já foi embarcada com as novas armas.

Espingarda de Pederneira Inglesa

Dados técnicos:

Calibre:

19 mm

Comprimento:

138-147 cm

Peso:

c. 4,4 kg

Alcance útil:

75 m

Cadência de fogo:

2-4 tiros por minuto