Guarda de Honra

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Quadro "O Grito do Ipiranga", de Pedro Américo, mostrando o uniforme de 1826, da Imperial Guarda de Honra.

A Imperial Guarda de Honra não era uma tropa do Exército, mas sim da Casa Imperial. Entretanto, o seu armamento foi distribuído pelo exército e hoje há uma tropa que usa seus uniformes históricos baseados na Guarda, de forma que vamos abordar o sabre da tropa aqui.

O sabre da Guarda de Honra tem a distinção de ser a única arma de cavalaria pesada a ser adotada no país: tinha a lâmina reta e pesada, própria para golpes de estoque e contra oponentes que usassem armaduras. Sua guarda tinha o Brasão do Império e um pomo em forma de grifo - o símbolo da Casa Real. Sua lâmina é decorada com gravações com ouro e oxidação azulada decorativa, com as inscrições “Viva o Imperador”, dos dois lados. Há dois tipos de bainha, um de ferro com guarnições douradas e outra, bem mais rara, folheada a ouro, com gravações. Supõe-se que a segunda, mais bela, seja de uso de oficiais, mas pode ser que ela originalmente se destinasse a ser usada apenas junto com o uniforme de gala.

Sabre da Imperial Guarda de Honra. Acervo do MHN.

Curiosamente, devido à extinção da Guarda em 1831, conhecemos mais a história desse modelo de arma do que qualquer outro do período, pois a devolução dos sabres ao governo gerou uma grande documentação burocrática.

Foram adquiridas em 1826 de William Young, da Inglaterra, pela quantia de 23 contos de réis (incluindo outras peças do fardamento, como os capacetes de metal da Guarda), sendo que as espadas deveriam ser pagas pelos integrantes da tropa. Quando as primeiras 300  chegaram, contudo, o Imperador determinou que elas fossem dadas gratuitamente aos soldados e oficiais, a conta sendo paga pelo herário.

Detalhe do sabre. O pomo dele é em forma de Grifo, símbolo da casa de Bragança.

Com a extinção da Guarda, após a abdicação de Pedro I em 1831, ordenou-se o recolhimento das armas que estavam em mãos dos ex-integrantes, o que foi feito sem muito sucesso, pois somente 184 delas foram devolvidas. Estas ficaram sem destino nos armazéns do Arsenal por muitos anos até que desaparecem dos inventários, supostamente sendo dadas à oficiais do Exército e da Guarda Nacional - de fato, são conhecidos exemplares de espadas de Guarda Nacional muito semelhantes às da Guarda de Honra.