Roberts

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Não se pode dizer que a espingarda Roberts foi uma arma regulamentar do Exército Brasileiro, pois não chegou a ser distribuída à tropa. Mas elas aparecem em manuais brasileiros e têm uma história curiosa, de forma que a incluímos no presente texto.

Mecanismo de Espingarda Roberts

Devido à então recente experiência de conflitos, como a Guerra dos Ducados, a guerra entre a Prússia e a Áustria e a Guerra Civil norte-americana, onde as armas de retrocarga tinham demonstrado a sua superioridade, os oficiais brasileiros estavam interessados nos desenvolvimentos técnicos. A Guerra do Paraguai viria a representar um motivo muito forte para a adoção deste tipo de equipamento, por causa do seu potencial e, desta forma, o Ministro da Guerra mencionava em seu relatório de 1867 (relativo ao ano de 1866):

"O governo imperial não podia ser indiferente ao vivo interesse manifestado por toda a parte pela arma de agulha [Dreyse], em conseqüência dos brilhantes resultados colhidos na última guerra, travada na Europa e por isso incumbi a comissão de melhoramentos de examinar os diferentes modelos sucessivamente apresentados como aperfeiçoamento da arma, que deve trazer grandes modificações na tática militar.

Foram pela comissão considerados dignos de estudo os dois sistemas americanos de Roberts e Remmington, o francês Chassepot, e o Inglês Snider.

Segundo o juízo da comissão, baseando-se no estudo e exame por ela feitos, é preferível pela presteza de tiro a Roberts. que, na experiência a que assisti, conseguiu dar 15 tiros por minuto.

Os sistemas americanos, e mesmo o Inglês, apresentam sobre o francês a não pequena vantagem de poder para eles ser transformado, sem muita dificuldade, o grande número que possuímos de armamento a Minié ou de Chassepot, porém, bem como o de Peabody, recommenda-se pela sua simpleza e solidez.

No intuito de se fazer um ensaio em grande escala, e no próprio teatro de guerra, encomendei para os Estados Unidos 5.000 armas a Roberts com o necessário cartuchame, a fim de com elas ser armada uma força escolhida do nosso exercito em operações".

As Roberts nada mais eram do que armas do sistema Minié, fabricadas nos Estados Unidos (conhecidas como Springfield, modelo 1861), transformadas segundo o sistema patenteado por Roberts em 1864. Neste sistema, a culatra da arma americana era serrada na sua parte traseira, o cão era trocado e uma nova culatra, de retrocarga, era aparafusada ao cano.

Apesar da idéia ser simples – e de ter funcionado a contento em outros sistemas semelhantes, adotados na Europa – as Roberts não foram aprovadas no Brasil, por causa de sua munição, muito problemática. O cartucho usado era de estojo metálico e de percussão periférica, teoricamente muito superior aos cartuchos de papel usados até então, mas que na prática se mostraram inúteis, pelo grande número de falhas. 880 armas chegaram a ser enviadas para o fronte em 1867 (o suficiente para armar dois batalhões), assim como três milhões e meio de cartuchos. No ano seguinte, mais 25.000 cartuchos foram enviados, o que indica que foi feita uma tentativa de se solucionar o problema de falhas, como tinha sido feito com as Spencers mas, aparentemente, a medida não deu certo e as Roberts foram recolhidas à depósito. E eles foram realmente abandonados, ao contrário do que ocorreu com outras armas não adotadas, como a Chassepot: em 1877 ordenou-se "que não se deveria fazer despesa" com as Roberts em depósito, ou seja, não se faria mais manutenção nas mesmas. Daí elas desapareceram de nossa história.

Espingarda Roberts

Dados técnicos:

Calibre:

14,66  mm

Comprimento:

142 cm

Peso:

 4,02 kg

Raias

3 a direita

Alcance útil:

460 m

Cadência de fogo:

10-15 tiros por minuto