Durante a parte inicial do período que estamos tratando, o Brasil continuou a usar as pistolas de pederneira, já que estas armas atendia as necessidades da força. De fato, mesmo com a introdução do sistema Minié, tomada a decisão de comprar não somente pistolas do sistema raiadas, mas também outras, idênticas ao modelo, mas de cano liso, Por exemplo, em 1860 o Arsenal testou 3.969 pistolas, mas destas, apenas 1.698 eram belgas raiadas, as restantes sendo lisas.
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Pistola companhia das índias, de fulminante, lisa, inglesa, que pode ser encontrada em coleções particulares e de museus no Brasil |
O fato do Exército ter mantido em uso pistolas sem raias – ou de ter usado munição de menor calibre, quando ocorreu o problema da diferença de calibre com as Enfields, não deve ser visto como negativo: a pistola de fulminante tinha um alcance útil de uns 15 metros e não faria diferença se ela fosse raiada ou não.
Mesmo considerando que era uma arma secundária (em 1874, ela foi retirada de serviço dos esquadrões de atiradores dos regimentos de Cavalaria), elas foram as que foram adquiridas por mais longo tempo: em 1872 o Império negociou diretamente com o governo inglês a compra de 2.000 pistolas Enfield de Arsenais Ingleses. Isso aconteceu em um momento em que a arma estava totalmente obsoleta, como reconhecia a própria Comissão de Melhoramentos do Material do Exército, em seu relatório de 1875:
"Se, pois, é possível ter-se um revólver pelo mesmo preço de uma pistola, arma hoje sem emprego nos exércitos de primeira ordem, não vê a seção [de armas da Comissão] razão alguma para que se continue a usar dela no nosso exército".
Desde antes da Guerra do Paraguai o Exército vinha experimentando com revólveres - as primeiras armas de repetição distribuídas, mas estes eram destinados apenas aos oficiais.
As pistolas de percussão e tiro simples continuaram a ser usadas por mais alguns anos pelas praças, pelo menos até 1882, quando foram adquiridos os revólveres Nagant. Apesar de se saber que continuaram em uso no Rio Grande do Sul pelo menos até 1885, pois aparecem menções a elas nas grandes manobras no campo de Saicã, daquele ano.
Na Marinha elas tiveram uma história igualmente longa, pois eram usadas por um terço de toda a tripulação dos navios, para defesa e abordagens até a adoção dos Nagant.