Armas de fogo

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Torno copiador de coronhas de Blanchard, 1819. Acervo do Smithsonian Institute. Esta máquina produzia cópias exatas de coronhas, sem os erros comuns da ação humana.

Em meados do século XIX, a Revolução Industrial fazia-se sentir com toda a força e isto resultava em sérias implicações na forma como os exércitos se organizavam e se prepararam para a Guerra. A aproximação "empírica", baseada nos usos e costumes e que tinha dado certo nos últimos milênios, passou a ser vista como negativa, sendo substituída pelo estudo científico – ou cientificista – na busca de maneiras mais eficientes de organização e preparo. No campo dos armamentos, importantes descobertas, como o fulminato de mercúrio, a produção em série e as peças intercambiáveis, viriam a modificar profundamente o desenho e a fabricação das novas armas e, com isso, as táticas empregadas.

Nesta ocasião surgem, ao mesmo tempo, a padronização e a especialização nas armas – idéias até certo ponto contraditórias, mas que convivem pacificamente. Especialização no sentido de que surgiram diversos tipos de armas diferentes para usos específicos e que se somam as espingardas padrão, anteriormente vistas como "boas para toda a obra". Padronização na produção dos equipamentos, que passaram a ser feitos em escala industrial e não mais artesanal. Neste sentido é interessante colocarmos a seguinte passagem escrita pelo Ministro da Guerra, Marquês de Caxias, a respeito das armas Minié compradas pelo Brasil remetendo:

"ao diretor do Arsenal de Guerra da Corte uma espingarda com baioneta e uma clavina com sabre [mosquetão], ambos da fábrica – Lemille – em Liège, afim de V.S. as mande desarmar na oficina respectiva para ali serem examinadas, mandando depois guarda-las cautelosamente, para que se lhes conservem os selos que tem nas coronhas para serem confrontadas com as que vierem da Europa".

Selo em coronha de clavina Minié depositada na Fábrica Lemille, Bélgica, para garantir que as peças produzidas lá seguiriam um padrão uniforme. 

Esta era o que se chamava de "arma selada", usada para comparações com os equipamentos adquiridos no exterior, que tinham que ser rigorosamente idênticos ao modelo guardado – um nível de padronização industrial que não tinha existido até então.

A competição industrial e o nacionalismo – que levava as nações a procura de superioridade militar sobre as outras – faziam surgir, com incrível rapidez, novas descobertas no campo militar que aumentavam em muito a eficácia dos armamentos e seu tão importante poder destruidor. Isso implicou em uma nova revolução militar, tão relevante quanto a do século XVI, que selou o destino do feudalismo como técnica de guerra, ou a das guerras napoleônicas, que tinha visto o surgimento dos grandes exércitos conscritos.

Páginas complementares:

Carregamento - Eficácia - Sistema Minié